Nos bastidores do setor farmacêutico, uma notícia mexeu com os ânimos de gestores e compradores nos últimos meses. A Anvisa, agência central para o nosso setor, definiu como prioridade a criação de normas específicas para a venda de medicamentos em marketplaces. Foi o próprio Daniel Pereira, diretor da Quarta Diretoria, que trouxe à tona essa nova fase regulatória, deixando claro que esse movimento só começará após fechadas as normas sobre importação de matéria-prima e manipulação de análogos de GLP-1.
Como funciona o cenário atual?
Segundo as regras vigentes, a venda de medicamentos por plataformas digitais é uma prerrogativa exclusiva das farmácias. Sempre que uma transação ocorre nesse universo online, a presença da farmácia é obrigatória do início ao fim da operação. Em outras palavras, é impossível que um marketplace realize a venda direta sem intermediação e fiscalização de um estabelecimento farmacêutico regulamentado.
Os dispositivos médicos, como luvas, stents, próteses e aparelhos de diagnóstico por imagem, permanecem de fora dessa restrição. Para mim, essa diferença é prática e deixa evidente a preocupação histórica com o risco envolvido na automedicação e no controle do mercado de fármacos.
A proteção à saúde vem em primeiro lugar.
Desde a pandemia de Covid-19, a digitalização do setor se acelerou de forma diferente em cada categoria. Dados da Abrafarma apontam um avanço impressionante: o faturamento das farmácias no ambiente digital cresceu 54,8% entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, ultrapassando os R$ 20 bilhões e correspondendo a 18% de todas as vendas do setor, um salto notável diante dos 3% registrados em 2020 (faturamento das farmácias no ambiente digital).
Desafios de fiscalização no ambiente digital
Uma das maiores dores que enxergo nesse debate é a fiscalização online. Ainda há brechas enormes: a oferta de medicamentos sem registro floresce nos ambientes digitais porque, quando uma denúncia exclui um anúncio, logo outro parecido aparece. Como apontou Sérgio Mena Barreto, diretor executivo da Abrafarma, falta controle quanto à qualidade e procedência dos produtos nessas plataformas. Isso abre espaço para riscos graves à saúde pública, além de prejudicar aquelas farmácias que seguem cada etapa regulatória à risca.
A própria Abrafarma se posiciona recomendando que a transação ocorra apenas entre farmácia e consumidor, sem intermediação direta do marketplace. Além disso, defendem:
- Barreiras ao uso e compartilhamento dos dados de saúde dos pacientes por plataformas digitais
- Proibição de algoritmos que recomendam medicamentos sem controle humano
- Registro em tempo real, no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados da Anvisa, das operações com medicamentos controlados
O que está por vir?
Antes de colocar as novas regras em debate, a Anvisa ainda prepara uma análise de impacto regulatório detalhada. Os membros do órgão deixaram claro que só pretendem acelerar processos normativos em situações consideradas realmente extremas. Particularmente, acho sensato: mudanças apressadas podem ter consequências pouco previsíveis para a rotina de quem administra farmácias e para o atendimento da população em geral.
O tema já é pauta prioritária entre gestores e donos de farmácias. A cobrança por mais proteção e controle ao consumidor, assim como transparência e rastreamento de toda a jornada do medicamento, está mais forte do que nunca.
As tendências e debates exclusivos para decisores desse mercado são constantemente atualizadas no Panorama Farmacêutico, uma plataforma indispensável para quem quer acompanhar categorias, vendas, novidades e as principais orientações do setor.
Movimentação e números do mercado farmacêutico
Em 2024, segundo o Anuário Estatístico do Mercado Farmacêutico de 2024 da CMED, o mercado farmacêutico brasileiro atingiu faturamento de R$ 160,7 bilhões, um crescimento nominal de 12,9% sobre o ano anterior, com 6,07 bilhões de embalagens comercializadas e um crescimento físico de 5,2%. São números que dão dimensão da complexidade desse universo, onde toda decisão regulatória reverbera profundamente.
Entregas remotas e novas obrigações
Vejo com atenção a consolidação definitiva pela Anvisa da entrega remota de medicamentos controlados, hoje permitida a farmácias e drogarias, que podem realizar entregas domiciliares desses produtos. Porém, aquela ampliação temporária da quantidade máxima por receita, vista na pandemia, não se mantém: valem novamente os limites tradicionais definidos na Portaria SVS/MS 344/1998. Isso mostra o vai e vem do setor entre inovações e necessidade de cautela máxima.
A Simped acompanha tudo isso de perto. O nosso sistema inteligente de compras e cotação nasceu para dar precisão a esse ambiente, conectando farmácias com dados que evitam desperdícios, compras equivocadas ou falta de estoque. Com a automatização e escolha correta dos fornecedores, administrar esse cenário de rápidas mudanças fica menos desgastante e muito mais transparente.
Por falar em tendências e práticas para farmácias, recomendo a leitura de conteúdo sobre vendas farmacêuticas e também artigos sobre mudanças no receituário eletrônico, dicas de negociação com fornecedores e automatização dos processos de compra, além do nosso acervo de conteúdo sobre gestão de compras.
Investigações e debates em outras frentes
Além das discussões sobre marketplaces, o segmento farmacêutico segue movimentado por investigações sobre lavagem de dinheiro e recentes mudanças como as novas regras de acesso das farmácias privadas ao SNCR. E vale lembrar que, recentemente, também houve a proibição da venda de medicamentos derivados de cannabis em território nacional, impactando a categoria de produtos ofertados.
O ambiente regulatório muda rápido, e quem não acompanha fica para trás, seja por exposição a riscos, seja por limitação de atuação. Firmar processos automatizados, baseados em dados e conformidade legal, com apoio de tecnologia, faz toda diferença nesse novo período.
Conclusão
Em minha experiência, vejo que, diante de tantas mudanças, o papel da tecnologia, como as soluções da Simped, é um alicerce para manter farmácias seguras, organizadas e dentro da lei. O segredo está em se adaptar sem perder a qualidade e o foco no consumidor.
Se você quer transformar suas compras, evitar surpresas e dominar o novo cenário regulatório, agende uma apresentação conosco e veja como o Simped pode ajudar sua farmácia a crescer com tranquilidade e segurança.
Perguntas frequentes
O que mudou nas regras para medicamentos?
A principal mudança em debate é a criação de normas específicas pela Anvisa para as vendas em marketplaces. Por enquanto, só farmácias podem vender remédios em plataformas digitais e devem estar presentes em toda transação. Mudanças futuras deverão tratar da presença obrigatória, uso de dados dos pacientes e proibições de recomendação automática por algoritmos.
Como vender medicamentos em marketplaces?
Atualmente, apenas farmácias podem participar da venda e precisam garantir toda a rastreabilidade. A transação deve sempre envolver uma farmácia regulamentada, respeitando regras de entrega, controle e registro dos medicamentos controlados.
Quais medicamentos posso vender online?
A venda online permite medicamentos isentos de prescrição e também de prescrição, desde que a farmácia siga todas as orientações legais e regulatórias. Medicamentos controlados exigem registros específicos e regras de entrega mais rígidas.
Venda de remédios online é segura?
Quando feita por farmácias devidamente regulamentadas, a venda online é segura. Porém, a falta de fiscalização em plataformas abertas facilita o risco de medicamentos sem registro ou de procedência duvidosa. Fique atento, sempre conferindo a legitimidade da farmácia.
Quais marketplaces permitem venda de medicamentos?
Atualmente, a legislação não permite que marketplaces atuem como vendedores diretos. Só farmácias podem finalizar a venda ao consumidor, sendo os marketplaces responsáveis por conectar cliente e farmácia, e nunca substituir o papel do estabelecimento regulamentado.
